O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado apoio do centrão para aprovar suas pautas no Congresso Nacional. No entanto, a relação entre as duas forças políticas tem sido marcada por tensões e disputas.
Um dos primeiros embates entre governo e centrão ocorreu na semana em que líderes da Câmara dos Deputados ameaçaram não votar a MP (medida provisória) que reestruturou a Esplanada dos Ministérios. Na época, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), chegou a oferecer o próprio cargo ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e a lideranças do centrão.
A ideia de deixar a MP caducar para dar um recado ao Planalto foi tratada inicialmente em 30 de maio na área da churrasqueira da residência oficial da presidência da Câmara. Segundo relatos, a tese partiu do líder da União Brasil, Elmar Nascimento (BA), e acabou encampada por outros.
No dia 31, Lira e Lula se falaram por telefone e, à tarde, o presidente da Câmara deu uma declaração à imprensa afirmando que havia uma “insatisfação generalizada” entre os parlamentares.
No fim das contas, a MP foi aprovada por 337 votos a 125, com o desempate a favor da votação vindo do líder do Republicanos, Hugo Motta (PB).
Em julho, outro momento de tensão ocorreu quando o titular da Secom (Secretaria de Comunicação), Paulo Pimenta (PT), afirmou à imprensa que a ministra do Turismo, Daniela Carneiro, ficaria no cargo até que a Câmara votasse as pautas econômicas. A declaração irritou a bancada da União Brasil, e um grupo pediu o adiamento da reforma tributária.
Lira, porém, não gostou da participação do futuro ministro no quase motim e o cobrou duramente por telefone. Passada a turbulência, e com as bênçãos de Elmar e Lira, Sabino substituiu Daniela em julho.
A votação do Carf deu início às negociações que levaram à entrada de PP e Republicanos na Esplanada, com André Fufuca (PP-MA) no Esporte e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) em Portos e Aeroportos.
A oficialização por Lula dos nomes dos dois, porém, se arrastou por quase dois meses, o que gerou irritação entre parlamentares e críticas à atuação de Padilha nas costuras.
Em novembro, deputados atrasaram a tramitação do pacote de matérias de Haddad que elevam a arrecadação para 2024 e condicionaram a aprovação à liberação dos recursos e à derrubada de vetos presidenciais.



