Em um cenário de rápido crescimento, nossa cidade enfrenta um desafio constante: manter viva a memória histórica que a define. Lauro de Freitas, vive em busca por progresso, mas corre o risco de apagar vestígios valiosos do passado. No entanto, compreender nossas origens e os caminhos trilhados pela história é fundamental para qualquer sociedade que vislumbra o desenvolvimento verdadeiramente sustentável e de preservação.
Um exemplo claro dessa luta é visível nas sedes antigas da prefeitura de Lauro de Freitas. Tive a oportunidade de presenciar as mudanças de prédios e registrar a contínua batalha para conservar esses edifícios, que são mais do que simples construções; são testemunhas silenciosas de nossa jornada coletiva na construção da democracia.
A preservação das características arquitetônicas dessas antigas sedes é vital, pois nelas residem a história de nosso povo e a essência de nossa identidade. Atualmente, essas edificações abrigam secretarias municipais. Embora funcionais, mas que futuramente, poderiam ter um destino mais apropriado para essas estruturas, como biblioteca, museu ou centros culturais. Estes espaços poderiam servir como locais de encontro e aprendizado, celebrando nossa rica história e educando as futuras gerações sobre o valor de nosso patrimônio cultural.
A necessidade de preservação de nossas raízes históricas é um reflexo da própria gestão brasileira nesse sentido. Diversas iniciativas pelo país buscam proteger e revitalizar patrimônios históricos, compreendendo que a memória de uma nação é um dos pilares de sua identidade.
Assim, preservar estes edifícios não é apenas um ato de resistência cultural, mas um compromisso com as gerações futuras. Sem a preservação do passado, corremos o risco de perder nossa identidade coletiva. Precisamos compreender que a cidade de Lauro de Freitas precisa valorizar e proteger sua herança cultural, garantindo que o progresso não apague as raízes que sustentam a sua história.

Transformar as antigas sedes da prefeitura em centros culturais é crucial para manter vivo o nosso passado. Imagine uma biblioteca repleta de obras de escritores locais, um centro cultural abrigando exposições dinâmicas ou um museu digital que, através do audiovisual, conte a rica trajetória do município e as histórias da nossa gente até os dias de hoje.
Essas ações dariam um novo caminho na salvaguarda nesses espaços históricos, transformados em pontos turísticos, de encontros para a comunidade, no fomento do conhecimento e na preservação da memória. Sem esses esforços, nossa identidade coletiva corre o risco de desaparecer, e é nossa responsabilidade garantir que isso não aconteça.
Depoimento do professor Gildásio Freitas

Eu acho muito boa essa iniciativa de preservação de prédios históricos. Temos poucos prédios assim, que, apesar de serem de um passado recente, possuem um significativo importante. Do ponto de vista arquitetônico, qualquer construção com meio século de existência já tem um peso expressivo.
Um grande exemplo é Brasília, uma cidade recente, onde temos modelos importantes de preservação, como o Catetinho, que foi o primeiro espaço onde Juscelino despachava durante a construção da cidade. Um prédio da década de 1950, que abriga um museu.
Ao que me consta, a Casa do Relógio foi a primeira sede da prefeitura após a emancipação, em 31 de julho de 1962. Ela se instalou ali logo na data da emancipação. Professor Emanuel Paranhos fez um levantamento importante sobre este prédio que confirma que a Casa do Relógio foi a primeira sede da prefeitura de Lauro de Freitas na década de 1960.
A segunda sede da prefeitura é onde hoje abriga a Secretaria de Segurança Pública, inaugurada em 30 de março de 1981, funcionando até a construção da terceira sede, próximo ao Parque Shopping, CALF – Centro Administrativo de Lauro de Freitas, em 2020.

Pesquisadores, professores e escritores

Arquiteto e urbanista, escreveu extensivamente sobre a importância da preservação urbana. Ele argumenta que “preservar edifícios modernos é tão importante quanto preservar construções coloniais. A diversidade arquitetônica é um testemunho da nossa história e cultura, e sua preservação é fundamental para a identidade urbana.”
Ruth Verde Zein

Arquiteta e professora, especializada em arquitetura moderna e contemporânea brasileira, enfatiza: “Os edifícios dos anos 70 e 80 são marcos de uma época de grandes mudanças. Sua preservação permite que entendamos melhor esse período e as influências que moldaram nossas cidades.”
Ricardo Ohtake

Arquiteto e diretor do Instituto Tomie Ohtake, ressalta a importância da preservação do patrimônio moderno: “Os prédios modernos têm um valor histórico e arquitetônico. Revitalizar esses espaços para novos usos culturais é uma forma de manter viva a memória e a identidade das nossas cidades.”
Conclusão
Transformar essas antigas sedes da prefeitura em equipamentos culturais em Lauro de Freitas é uma estratégia essencial para preservar a memória histórica e fortalecer a identidade comunitária. Bibliotecas, centros culturais e museus digitais nesses espaços podem servir como pontes entre o passado e o presente, garantindo que a história e a cultura local sejam valorizadas e transmitidas para as gerações futuras.
Além disso, a preservação e transformação desses prédios antigos em centros culturais tem um impacto positivo na economia local, aumentando a renda, gerando empregos e atraindo turistas para a cidade. Esses centros culturais também podem desempenhar um papel crucial na educação, proporcionando espaços para aprendizado e engajamento cultural.
Matéria reproduzida do Blog do Márcio Wesley
* Márcio Wesley
Jornalista / MBA em Comunicação e Semiótica / Licenciado em Artes Visuais.



