A venda da petroquímica Braskem, controlada pela Novonor, está cada vez mais difícil. A empresa é alvo de uma ação civil pública do Ministério Público Federal de Alagoas por conta do agravamento da crise ambiental em Maceió, capital do estado.
A Braskem é uma sociedade entre a Novonor (ex-Odebrecht) e a Petrobras. A primeira detém 50,1% do capital votante da empresa, e a segunda possui 47% das ações com direito a voto. A empresa é uma gigante da produção de plásticos, com faturamento anual de R$ 96 bilhões.
A Odebrecht entrou em recuperação judicial em 2019 com uma dívida de R$ 98,5 bilhões. As ações da Braskem são o ativo mais valioso do grupo, e se tornaram cruciais para sua recuperação. Elas foram dadas como garantia aos bancos Santander, Banco do Brasil, BNDES, Bradesco e Itaú por empréstimos de cerca de R$ 14 bilhões à Odebrecht.
Em 2021, a Novonor havia fechado um acordo com a empresa holandesa LyondellBasell para vender sua participação na Braskem por cerca de R$ 100 bilhões. No entanto, o acordo foi suspenso por conta da crise ambiental em Maceió.
O Ministério Público Federal de Alagoas acusa a Braskem de ser responsável pelo afundamento de cinco bairros da capital alagoana, afetando cerca de 55 mil pessoas. A empresa já fez provisões de R$ 14,4 bilhões para compensar os danos causados pela crise ambiental, mas ainda não desembolsou todo esse valor.
O agravamento da crise ambiental em Maceió pode dificultar ainda mais a venda da Braskem. Os investidores estão preocupados com o risco de um colapso da mina de sal-gema número 18, no bairro de Mutante. Se a mina colapsar, os danos causados à população de Maceió podem ser ainda maiores.
Além da crise ambiental, a Braskem também enfrenta outros desafios, como a concorrência global e a alta da inflação. A empresa precisa encontrar um comprador que esteja disposto a assumir esses desafios.
Foto: Itawi Albuquerque/Secom



