A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), por meio do Sistema Estadual de Transplantes, contabilizou, ao longo de 2025, 1.384 transplantes de órgãos realizados no estado. De acordo com o coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, Eraldo Moura, um dos principais desafios enfrentados atualmente é a taxa de recusa familiar à doação de órgãos, que gira em torno de 60%, índice superior à média nacional. “Precisamos intensificar o trabalho de conscientização para ampliar a aceitação entre as famílias. A doação de órgãos salva vidas”, destacou Moura.
Em dezembro, o Sistema Estadual de Transplantes registrou 3.809 pessoas na fila de espera por um transplante na Bahia. A maior demanda é por transplante de rim, incluindo pacientes adultos e pediátricos, com 2.146 pessoas aguardando, seguida pelo transplante de córnea, com 1.650 pacientes. A doação de órgãos somente pode ser realizada mediante a autorização da família do doador, conforme determina a legislação brasileira. No caso da doação de córneas, a captação pode ocorrer em até seis horas após o óbito e, após a retirada, o tecido pode ser armazenado por até 14 dias, assegurando a segurança e a viabilidade do transplante.
Como ser doador de órgãos
No Brasil, não é necessário registrar em documento o desejo de ser doador de órgãos. Para isso, basta comunicar à família a intenção de doar órgãos e tecidos. A doação só é efetivada após a autorização familiar, conforme estabelece a Lei nº 10.211, de 23 de março de 2001.
Podem ser doadores pessoas com idade entre 2 e 80 anos, desde que haja autorização de um parente de primeiro grau, como pais, irmãos ou cônjuge. A autorização deve ser concedida na presença de duas testemunhas.
Lista de espera
A lista de espera por um órgão é organizada com base em critérios técnicos, como tipagem sanguínea, compatibilidade de peso e altura, compatibilidade genética e critérios de gravidade específicos para cada tipo de órgão. Quando os critérios técnicos são semelhantes, a ordem cronológica de cadastro, ou seja, a data de inscrição na lista, é utilizada como critério de desempate. Pacientes em estado crítico têm prioridade, em razão da gravidade da condição clínica.
Além disso, situações de extrema gravidade, com risco iminente de morte, também influenciam diretamente a organização da fila de transplantes. Entre os critérios de prioridade estão a impossibilidade total de acesso à diálise, no caso de pacientes renais; insuficiência hepática aguda grave, para pacientes com doenças do fígado; necessidade de assistência circulatória, no caso de pacientes cardiopatas; e rejeição de órgãos recentemente transplantados.
Cabe destacar que a lista de espera é única, válida tanto para pacientes atendidos pelo SUS quanto pela rede privada.
Fonte: Ascom Sesab



