A Arquidiocese de São Paulo divulgou uma nota nesta quinta-feira, 4 de janeiro, expressando perplexidade com a tentativa de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o padre Júlio Lancellotti.
O pedido de CPI foi protocolado na Câmara Municipal de São Paulo em dezembro de 2023. O documento solicita a investigação das organizações não governamentais que atuam na região conhecida como Cracolândia, que concentra pessoas em situação de rua e com consumo abusivo de drogas na parte central da capital paulista.
Apesar de o coordenador da Pastoral do Povo de Rua não ser citado nominalmente no requerimento, o vereador que fez o pedido, Rubinho Nunes (União), fez diversas declarações, inclusive pelas redes sociais, em que afirma que Lancellotti é o principal alvo. Nunes também declarou que pretende dirigir a investigação contra o movimento A Craco Resiste.
Em 2020, Nunes, então candidato a vereador, solicitou ao Ministério Público de São Paulo a abertura de um inquérito contra A Craco Resiste. Ele acusava a organização de favorecer o consumo de drogas. A investigação policial aberta, no entanto, acabou arquivada sem encontrar qualquer irregularidade.
A Arquidiocese de São Paulo questiona a coincidência dessa nova movimentação de Nunes, que é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), em um ano de eleições municipais.
“Perguntamo-nos por quais motivos se pretende promover uma CPI contra um sacerdote que trabalha com os pobres, justamente no início de um ano eleitoral?”, diz a nota da Arquidiocese.
O padre Júlio Lancellotti também se posicionou sobre o caso. Em nota, ele afirmou que as CPIs são legítimas, mas que não pertence a nenhuma organização não governamental que utilize convênio com o Poder Público Municipal.
“A atividade da Pastoral de Rua é uma ação pastoral da Arquidiocese de São Paulo que, por sua vez, não se encontra vinculada, de nenhuma forma, às atividades que constituem o requerimento aprovado para criação da CPI em questão”, disse Lancellotti.
A instalação da CPI ainda depende da aprovação da Câmara Municipal de São Paulo. Se for aprovada, a comissão terá o prazo de 90 dias para concluir os trabalhos.



