Entidades empresariais de diversos setores alertaram para o potencial aumento do custo de empregar no Brasil caso a Medida Provisória (MP) da reoneração da folha seja mantida. A MP, editada pelo governo federal no final do ano passado, prevê o retorno gradual da contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha de pagamento para atividades econômicas que atualmente estão desoneradas.
Para as entidades, a reoneração da folha prejudicaria a competitividade da indústria e do comércio, que já enfrentam concorrência desigual com as importações. Isso porque as empresas importadoras não pagam a contribuição previdenciária patronal, o que as torna mais competitivas.
“A reoneração da folha é uma medida que contraria a lógica do mercado e prejudica o emprego”, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), João Carlos Di Genio. “A indústria já enfrenta uma série de desafios, como a alta dos custos de produção e a concorrência internacional. A reoneração da folha seria mais um obstáculo para a competitividade do setor”, completou.
A reoneração da folha também é criticada por entidades do setor de serviços. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a medida pode levar à demissão de trabalhadores e ao fechamento de empresas. “A reoneração da folha seria um desastre para o setor de serviços, que é responsável por mais de 70% dos empregos formais no Brasil”, afirmou o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci.
A MP da reoneração da folha ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional. Caso seja aprovada, a medida entrará em vigor em janeiro de 2025.



