O setor de bares e restaurantes dá sinais de recuperação, mas ainda enfrenta desafios como dívidas acumuladas, inflação e aumento dos custos de operação, revela pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).
A pesquisa, realizada entre os dias 20 e 27 de dezembro, ouviu 1.647 empreendedores de todo o Brasil. Os resultados mostram que, em novembro, 23% das empresas operavam no prejuízo, 34% ficaram em equilíbrio e 43% obtiveram lucro.
Em relação ao mês anterior, houve um aumento de 7% no número de empresas com lucro. No entanto, ainda é uma parcela minoritária do setor.
O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, explica que o ano termina com um resgate do faturamento, mas com muitas empresas ainda endividadas, com impostos em atraso e tendo de pagar os empréstimos tomados no período da pandemia de covid-19.
De acordo com a pesquisa, 38% das empresas relatam pagamentos em atraso. As principais áreas de inadimplência incluem impostos federais (69%), impostos estaduais (45%), dívidas bancárias (40%), encargos trabalhistas (29%), serviços públicos (água, gás e energia elétrica – 22%), fornecedores (21%) e aluguel do imóvel (18%).
Outro desafio enfrentado pelo setor é a inflação. De acordo com a pesquisa, 53% das empresas não conseguiram reajustar seus preços em linha com a inflação média. Apenas 10% afirmaram ter conseguido fazer reajustes acima da inflação e 36% ajustaram seus preços de acordo com o índice geral.
Apesar dos desafios, o setor de bares e restaurantes mostra sinais de recuperação. Em novembro, 21% das empresas contrataram novos funcionários, o que significa um sinal positivo de crescimento. O percentual é superior ao de empresas que relataram demissões, que ficou em 14%.
Para o mês de dezembro, as perspectivas para o resultado de contratações também são animadoras, com 27% das empresas planejando contratar mais funcionários e apenas 6% indicando intenção de demitir.
Fatores que contribuem para a recuperação do setor
A recuperação do setor de bares e restaurantes é resultado de uma série de fatores, incluindo:
- A queda nos casos de covid-19 e a flexibilização das medidas de restrição;
- A retomada da economia e o aumento do poder de consumo da população;
- A mudança nos hábitos de consumo da população, que passou a valorizar mais a experiência gastronômica fora de casa.
No entanto, ainda é preciso superar os desafios que o setor enfrenta para garantir uma recuperação sustentável.



