A remoção forçada de áreas em Maceió (AL) esta semana abre um novo e dramático capítulo para vidas que correm o risco de serem prejudicadas por um iminente colapso da mina em 18 bairros do Mutange. Em entrevista nesta quinta-feira (30/11), o engenheiro mecatrônico Arthur Cavalcante afirmou que a situação é praticamente irreversível.
Esse problema aflige a capital alagoana há mais de cinco anos. Baseada em relatórios técnicos, a Justiça Federal determinou a inclusão de novas áreas na zona de risco para colapso nas minas da Braskem. Isso resultou na evacuação de moradores da região afetada – mais de 60 mil pessoas já foram obrigadas a sair, deixando bairros desertos na cidade.
Essa medida foi atendida após pedido do Ministério Público Federal, da Defensoria Pública da União e do Ministério Público do Estado de Alagoas para a inclusão de mais áreas no programa de realocação da Braskem. A Justiça também ordenou um reforço no monitoramento, conforme o Metrópoles.
O aumento da zona desocupada ocorre diante do alerta de um possível colapso iminente de uma mina da petroquímica Braskem na área do antigo campo do CSA, na Lagoa Mundaú, no bairro do Mutange.
A área, conforme a Defesa Civil de Maceió, já estava praticamente desocupada. Diante do risco iminente de colapso, o órgão municipal pediu que embarcações e a população evitem transitar na região até uma nova atualização.
De acordo com a Defesa Civil, as análises indicam que, em caso de colapso, há chances de formação de um “sinkhole”, fenômeno caracterizado pelo afundamento da superfície e criação de uma cratera, devido ao esvaziamento do subsolo.
Em virtude dessa situação, a Prefeitura de Maceió decretou estado de emergência por 180 dias e formou um Gabinete de Crise para monitorar a situação.
O governo federal também está mobilizado. “Hoje orientei os ministros Wellington Dias e Renan Filho a acompanharem de perto, em Maceió (AL), o risco iminente de colapso de uma mina da petroquímica Braskem na Lagoa Mundaú, no bairro do Mutange”, afirmou o presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), na noite de quinta-feira (30/11). “Estamos atentos e prontos para agir conforme necessário”, completou.
Também na quinta, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), comunicou que entrou em contato com o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, para tratar da emergência em Maceió. No diálogo, Lira solicitou “prontidão e alerta da Defesa Civil Nacional para lidar com as graves consequências decorrentes da exploração das minas pela Braskem”.



