Os investidores aprovaram um acordo na sexta-feira (22) para tornar o proprietário da Truth Social, a Trump Media, uma empresa de capital aberto.
A luz verde dos acionistas libera um grande obstáculo para uma fusão há muito adiada e que gerará um lucro inesperado de bilhões de dólares para o ex-presidente Donald Trump, em um momento em que ele enfrenta imensa pressão financeira e legal.
De acordo com um total de votos preliminares anunciado durante a reunião, a maioria dos acionistas da Digital World Acquisition Corp. votou a favor do acordo de fusão com a Trump Media. As empresas indicaram que a fusão poderá ser concluída no início da próxima semana.
A nova empresa será chamada de Trump Media & Technology Group e será comercializada sob o código DJT, as iniciais de Donald J. Trump. Ela será a dona da plataforma de mídia social de Trump, Truth Social.
Os acionistas votaram para aprovar a fusão da Trump Media com uma empresa “cheque em branco”, que são criadas com o objetivo de obter recursos para a compra de outras empresas via capital aberto, após anos de obstáculos legais e regulatórios. Trump terá uma participação dominante em uma empresa pública, com ações no valor de mais de três bilhões de dólares a preços de mercado atuais.
No entanto, especialistas dizem à CNN que existem inúmeras razões práticas, financeiras e legais pelas quais é improvável que este acordo resolva a crise iminente de caixa de Trump.
“O ex-presidente Trump não será capaz de monetizar essa fatia imediatamente”, disse Matthew Kennedy, estrategista de mercado de oferta pública inicial sênior da Renaissance Capital.
Segunda-feira (25) é o prazo final para que Trump pague a fiança de US$ 464 milhões no caso de fraude civil de Nova York contra ele. Caso o pagamento não seja feito, a procuradora-geral de Nova York pode tentar apreender o campo de golfe e uma propriedade privada ao norte de Manhattan ou outros ativos de Trump.
A boa notícia para Trump é que há fortes incentivos para os acionistas aprovarem a fusão com a Digital World Acquisition Corp.
Ao receber luz verde dos acionistas, Trump será o acionista dominante, com uma participação de pelo menos 58,1%, de acordo com os documentos.
O acordo de fusão pede que Trump possua cerca de 79 milhões de ações da nova empresa pública – e potencialmente dezenas de milhões a mais se certos objetivos forem atingidos.
Com o preço das ações da Digital World em torno de US$ 43 cada na quinta-feira (21), essa participação maciça valeria US$ 3,4 bilhões, pelo menos no papel. Mas as ações da Digital World foram voláteis na sexta-feira e foram fechadas 14% mais baixas.
A fusão poderia fechar rapidamente.
Registros regulatórios indicam que as empresas esperam fechar a fusão no segundo dia útil após o voto dos acionistas ser aprovado. Isso define o cenário para a negociação começar com o novo nome e o símbolo do ticker até terça-feira (26) ou quarta-feira (27), embora possa levar mais tempo, de acordo com Kennedy.
Mas o acordo ainda enfrenta incerteza jurídica. Há litígios em andamento buscando bloquear o fechamento da fusão.
CNN Brasil



