Sou Salvador pretende capacitar 800 ambulantes e trabalhadores do comércio informal até o final de 2025

A Prefeitura, através do Projeto Sou Salvador, já capacitou quase 1,5 mil ambulantes e trabalhadores do comércio informal desde o seu lançamento em 2021. Até o final deste ano, mais 800 comerciantes de rua devem ser beneficiados com os cursos que visam a profissionalização da categoria.

As ações têm como foco os trabalhadores que atuam em pontos turísticos e de vendas populares, a exemplo do Centro Histórico, da Barra, Itapuã, Piedade, Caminho da Fé, na Cidade Baixa, mercados municipais e feiras livres. A iniciativa também tem alcançado grupos específicos como baleiros, trancistas, baianas de acarajé e pintores corporais que circulam por toda a cidade ofertando seus produtos e serviços.

O projeto é coordenado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda (Semdec), em parceria com a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) e a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult). A diretora de Negócios Afro e Empreendedorismo da Semdec, Maylla Pita, explica que o Sou Salvador nasceu com a missão de capacitar os ambulantes do município, levando conhecimento, organização e novas oportunidades para quem vive do trabalho nas ruas.

“É um programa de aperfeiçoamento dos ambulantes e dos trabalhadores informais da cidade, promovendo o crescimento pessoal e profissional dessas pessoas e incentivando o desenvolvimento dos seus respectivos trabalhos. Neste quinto ano de execução do projeto, caminhamos rumo ao encerramento de mais um ciclo e estamos comprometidos em impactar cerca de 800 ambulantes e trabalhadores informais”, assinala.

Nova fase – Segundo ela, o programa está sendo aprimorado para reestruturação de uma nova fase. “Ano que vem, teremos novidades e vamos entregar um Sou Salvador ainda mais atrativo e conectado com a dinâmica da cidade”, afirma Pita, reforçando que, neste segundo semestre de 2025, além das regiões turísticas, outros territórios também têm sido alvos da iniciativa.

“O programa começou com esse foco no turismo, mas hoje estamos atendendo também trabalhadores dos mercados municipais, trancistas e baianas de acarajé, que atuam em diferentes bairros da cidade”, reforçou.

Pintor corporal, Luan Henrique Purificação dos Santos oferece sua arte para baianos e turistas que passam pelo Terreiro de Jesus. Cadastrado pela Prefeitura e um dos beneficiados pela capacitação do Sou Salvador, ele diz ser bastante educado e cuidadoso na abordagem dos clientes. 

“Tento ser o mais educado possível, chego na simplicidade. Digo meu preço, aceito negociar e, no final, fica todo mundo satisfeito. Trabalho certo, mas, infelizmente, toda profissão tem os bons e os maus. Nunca tive problema porque faço meu serviço na honestidade”, disse o artista.

Ambulante no Centro Histórico há mais de 30 anos, Eliana Correia vende comidas e bebidas em uma barraca localizada próximo ao Monumento da Cruz Caída. Integrante de uma das turmas do Sou Salvador, ela diz que aprendeu a precificar seus produtos, levando em conta os gastos e lucros. “Uma coisa posso te garantir: aqui é preço justo. Não existe distinção entre turistas e baianos”, assegurou a comerciante.

Além das noções sobre os preços, ela afirma que o aprendizado das aulas do programa sobre como acondicionar os alimentos também foi muito importante. “São noções fundamentais para que a gente produza e venda alimentos de qualidade”, pontuou.

A baiana Shirley Ferreira tem cinco anos vendendo suas iguarias típicas no Pelourinho e também já participou das aulas do Sou Salvador. Em sua barraca, as placas escritas em inglês e português mostram claramente os valores dos produtos.

“Sou muito honesta com minha clientela e gosto de fidelizar meus clientes. Se a pessoa compra alguma coisa aqui, ganha como mimo uma foto com a baiana. Somos prestadores de serviço, agentes do turismo da nossa cidade, e temos que tratar nosso público com respeito”, destacou a baiana, que, graças à venda dos quitutes, consegue pagar a faculdade que cursa no período noturno.

O diretor de Qualificação e Promoção do Turismo da Secult, Gegê Magalhães, afirma que o Sou Salvador é fundamental para fortalecer a hospitalidade de quem chega à cidade.

“Ao capacitar ambulantes e trabalhadores informais, estamos garantindo um atendimento mais qualificado aos visitantes e, ao mesmo tempo, oferecendo novas oportunidades para quem vive do turismo em Salvador. É um programa que valoriza nossa cultura, gera impacto social e contribui para que cada turista leve a melhor experiência de Salvador”, pontuou.

Aprendizado e certificação – As trilhas de qualificação do projeto incluem educação financeira, atendimento ao turista, hospitalidade, recepção e qualidade no atendimento. Para aqueles que atuam na venda de alimentos, o programa disponibiliza capacitação em manipulação segura de alimentos, garantindo mais qualidade e segurança para trabalhadores e consumidores.

Os ambulantes recebem, no final do projeto, certificados de participação, com o direito a obter a licença para atuar na atividade. Também são distribuídos novos fardamentos, com número de identificação vinculado à licença, além de um QR Code para controle de pesquisa de satisfação dos serviços prestados aos clientes.

Comerciante e presidente da Associação Integrada de Vendedores Ambulantes e Feirantes de Salvador, Mário Lopes afirma que o Sou Salvador acredita que investir nas pessoas é apostar na própria cidade. “Já participei de algumas aulas e o aprendizado é maravilhoso. Ajuda a organizar nossa categoria, promovendo não apenas o crescimento profissional, mas também o desenvolvimento pessoal de cada participante”, frisou.

Texto: Letícia Silva e Camila Vieira/ Secom PMS

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