Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos EUA, faleceu aos 100 anos nesta quarta-feira, deixando um legado marcante na diplomacia da segunda metade do século 20.
Sua trajetória singular é dimensionada por dois fatos corriqueiros que ilustram sua notável inteligência e habilidade: nascido em outro país e com um sotaque estrangeiro marcante, ele se destacou como principal representante dos EUA, em uma sociedade com forte tendência ao chauvinismo; judeu, tornou-se um dos principais integrantes do governo de Richard Nixon, apesar das diferenças culturais.
Heinz Alfred Kissinger, seu nome original, nasceu em Furth, Alemanha, em 27 de maio de 1923. Sua família imigrou para os EUA em 1938, fugindo do regime de Adolf Hitler.
Naturalizou-se americano em 1943 e serviu no Exército dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, destacando-se em atividades de inteligência devido à sua fluência em alemão.
Após a guerra, iniciou uma destacada carreira acadêmica em Harvard, tornando-se consultor de diversos órgãos do governo e colaborando com líderes políticos como Nelson Rockefeller.
Foi assessor de Richard Nixon e rapidamente ascendeu no governo, tornando-se o principal condutor da política externa dos EUA como Secretário de Estado de 1973 a 1977, influenciando uma nova abordagem chamada “realpolitik”, realizando operações diplomáticas inovadoras durante a Guerra Fria.
Destacou-se por sua aproximação com a China, acordos de limitação de armas nucleares com a União Soviética e sua participação em negociações no Oriente Médio. No entanto, enfrentou os escândalos políticos do governo Nixon e renunciou ao cargo durante a presidência de Gerald Ford.
Kissinger transitou também pelo mundo empresarial, fundando consultorias de relações governamentais e continuou ativo na esfera pública, mantendo uma influência considerável em questões internacionais, apesar de algumas divergências de opiniões em relação à política externa dos EUA, particularmente após os atentados de 11 de setembro.
Embora tenha enfrentado tentativas judiciais relacionadas às suas ações no Chile durante a ditadura de Pinochet, suas atividades na consultoria e sua contribuição intelectual continuaram a manter sua proeminência pública até seus últimos anos.



