Excesso de conteúdo, exposição de dados e o vício causado pelo tempo dedicado às redes sociais tem levado cada vez mais jovens a excluir os próprios perfis nas plataformas.
Em fevereiro deste ano, uma pesquisa divulgada pelo site americano Pew Research Center apontou que dos 1.453 jovens, entre 13 e 17 anos, apenas 32% usavam o Facebook contra 71% do grupo que era ativo na rede entre 2014 e 2015. O mesmo acorreu com o X, antigo Twitter, passando de 33% naqueles anos para 23% no ano passado. Além disso, um estudo da revista Dazed Studio apontou que pessoas entre 19 e 25 anos estão passando menos tempo em redes como Tik Tok e Instagram. O estudo foi feito com 600 pessoas e revela que a geração Z tem priorizado o bem-estar pessoal, conexões reais e dedicação à carreira.
A estudante universitária, Paloma Castro, começou com um detox de redes até abandonar de vez o perfil no X. Para ela, o principal motivo foi o tempo de uso e a falta de penalidade aos perfis que propagam discursos de ódio. Há 4 meses também sem o Instagram, ela diz que a vida mudou completamente, para melhor.
“As redes sociais estavam me tirando muito tempo e um tempo sem retorno, porque as redes não te dão retorno. Eu vejo que tenho um salto gigantesco na minha rotina, eu vou para academia, parque, passear com o cachorro…eu quero usar as horas do meu dia com coisas que não sejam ligadas ao meu celular ou as redes, passei realmente a viver bem e viver melhor”
Durante a pandemia, o professor de matemática, Paulo Henrique, abriu uma conta no Tik Tok para ficar mais conectado. Com menos de duas semanas, passou a sentir ansiedade, a se comparar com influenciadores digitais e decidiu abandonar de vez a plataforma. Desde então, ele diz que percebe a diferença na rotina fora dos espaços digitais.
“Eu pegava o celular, abria e não sabia porque eu tinha aberto – esse foi inclusive e o fator que me fez perceber que eu estava no caminho certo. Ao longo do tempo eu fui percebendo diferença com relação a sentimentos como ansiedade, aprovação , tristeza em comparação com meus amigos que continuam usando as redes socias então eu considero que a minha qualidade de vida foi afetada positivamente”
A Meta, que gerencia o facebook e o Instagram, adicionou uma ferramenta de limite de tempo por parte do usuário – na intenção de suprir as necessidades dos internautas. Karla Beatryz tem um perfil na rede e usa o mecanismo. Ela diz que só assim consegue dosar o tempo dedicado ao perfil, mas que não abre mão da rede porque tem a atividade como lazer no dia a dia.
“Eu era muito dependente, acordava e ia direto para o celular e dormia usando e eu percebi que eu me comparava muito também. O meu celular mostra no fim do dia com o resumo diário e quando eu percebo que usei muito no dia seguinte isso já é uma meta para eu mexer menos. A gente gosta né, é uma coisa que relaxa, desliga o cérebro”.
Apesar do êxodo das redes sociais, a psicóloga e doutora em comunicação da fundação Getúlio Vargas, Anna Bentes, avalia que a dependência digital é praticamente um caminho sem volta. Isso porque a plataformização impede que a sociedade esteja 100% desconectada.
“Sair da rede social pode ter efeitos individuais positivos para vida dessa pessoa, no sentido dela não ficar com a atenção comprometida, é uma vida mental mais saudável…mas assim, a gente achar que existe hoje vida real separada da rede social é uma ilusão. A gente vive um processo de plataformização então a pessoa não está na rede social, mas pede uber, ifood…”
Ana Carolina Tomé/CBN



