Festival Movaê segue neste sábado (22) com programação dedicada a empreendedorismo negro, literatura, tecnologia e cultura popular

O II Festival Movaê – Empreendedorismo Negro, Inovação e Economia Criativa segue neste sábado (22) com uma programação  que ocupa as praças Pedro Archanjo, Quincas Berro D’Água e Tereza Batista, no Pelourinho. Os destaques do dia incluem debates sobre economia global, painéis literários, lançamentos de livros, performances artísticas, tecnologia, economia solidária, shows e atividades dedicadas a pensar o presente e o futuro da produção negra baiana.

O Festival, que é promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi) tem  parceria com as secretarias estaduais de Ciência, Tecnologia, Inovação (Secti), de Cultura (Secult) e de Trabalho,  Emprego e Esporte  (Setre), além do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. O evento conta com o patrocínio da Secretaria de Turismo (Setur) e da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia). O festival faz parte da agenda do Novembro Negro Bahia 2025.

A titular da Sepromi, Ângela Guimarães, destacou o significado de iniciar a segunda edição do festival reunindo tantas linguagens, ideias e trajetórias que movimentam a economia negra no estado.“Estamos muito felizes por realizar, pelo segundo ano consecutivo, um festival que coloca no centro as experiências de empreendedorismo negro em diversas áreas. Aqui, a juventude negra que produz pesquisa científica, inovação e tecnologia se encontra com empreendedores atendidos por políticas públicas do Governo do Estado.”

Segundo a secretária, o Movaê se firma como um ponto de encontro essencial para reconhecimento, fortalecimento e expansão das iniciativas negras. Ela ressaltou também que o festival é um espaço estratégico para apresentar o que o Governo da Bahia tem feito para apoiar quem empreende. A expectativa da Sepromi é que cada vez mais grupos produtivos, associações e cooperativas acessem essas políticas e conquistem sustentabilidade. “Queremos garantir que mais pessoas possam acessar essas iniciativas e desenvolver seus negócios criativos, expandindo seus territórios de atuação”, ressaltou a secretária.

Ao falar sobre o caráter simbólico da data, a secretaria Ângela Guimarães lembrou que o festival acontece sempre logo após o Dia da Consciência Negra, reforçando seu papel de reparação histórica. Ela também destacou a troca intergeracional que marca a programação do dia.

“Hoje é um dia especial para o empreendedorismo negro e para a economia criativa. Vamos ter um espaço de diálogo com grandes atrizes negras de várias gerações, que compartilham trajetórias, desafios, caminhos e aprendizados, contribuições que também orientam políticas públicas e tornam o caminho menos difícil para as próximas gerações”, destacou.

Primeiro dia do Movaê

O festival teve início às 14h, com o cortejo do bloco Os Negões, comandado por Paulinho e Luma Nascimento. A caminhada, que saiu do Terreiro de Jesus e seguiu pelas ruas do Centro Histórico, reuniu público, artistas, empreendedores e lideranças do Estado.

Após o cortejo, teve início as atividades de debates, performances, tecnologia, capoeira, cinema e música. A programação reforçou a potência da produção negra baiana nas artes, na ciência, nos negócios, na cultura e na política.

O poeta Sandro Sussuarana, do Sarau da Onça, falou sobre sua participação pelo segundo ano consecutivo no Festival Movaê, destacando o papel transformador do evento para as juventudes negras. “É uma satisfação enorme estar aqui novamente. Desde a primeira edição eu participo e fico muito feliz pelo convite, por poder trazer a minha voz que não representa só a mim, mas a toda a minha comunidade. Nosso território é potência, e momentos como este mostram o trabalho que fazemos, nossa vida e, sobretudo, nossos jovens negros vivos, falando, se posicionando e ocupando espaço”, afirmou.

O artista ressaltou ainda a importância política do festival. “Estamos aqui para contribuir com o fortalecimento das nossas lutas e no enfrentamento ao racismo, ao sexismo e a todas as formas de opressão. Participar de um evento com uma grade tão grande, com tantas pessoas que também estão na caminhada contra o racismo, é motivo de muita alegria”.

Abrindo os debates da tarde, o Painel Audiovisual Negro destacou a importância estratégica das políticas públicas de fomento, da formação técnica e da construção de redes para ampliar a presença negra em todas as etapas do cinema brasileiro. Participaram representantes da APAN, Casa do Cinema Negro Baiano, Sujeito Filmes, Bahia Filmes, além do ator e dramaturgo Aldri Anunciação. Instituições como MTE, FINEP, SETRE, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, MCTI e CCBB também compuseram o diálogo, reforçando a urgência de estruturas de financiamento e circulação para o audiovisual negro.

O segundo painel Empreendedorismo Criativo – Protagonismo Feminino, reuniu trajetórias de mulheres que vêm abrindo caminhos e consolidando novos paradigmas de criação e economia. Tia Má – Maíra Azevedo, Rejane Maia, Val Conceição e Isabel Fillardis, mediadas por Val Benvindo, compartilharam percursos, desafios e estratégias para fortalecer negócios liderados por mulheres negras.

Durante sua participação Tia Má destacou a importância das referências femininas negras na sua trajetória e no seu próprio modo de empreender. “Para falar da minha capacidade de empreender, eu preciso falar de quem veio antes de mim. É importante dizer isso quando falamos de empreendedorismo, porque nossas histórias começam muito antes de virarmos profissionais reconhecidas.” 

Ela também ressaltou como o empreendedorismo feminino negro é marcado pela multiplicidade de funções e pela necessidade constante de criar, se organizar e se reinventar. “A nós, mulheres negras, sempre coube fazer muito com pouco. Nunca tivemos tudo pronto; sempre tivemos que construir, imaginar e fazer acontecer. Eu entendi que sou o meu próprio produto. Eu me produzo, faço meu espetáculo, escrevo meu livro, penso minha palestra. Ofertar algo ao público é também uma forma de devolver tudo o que recebi das minhas referências.”

Em seguida, a comediante Magali Moraes apresentou um stand-up de humor preto atravessado por crítica social, cotidiano e identidade. A tarde começou com a oficina de capoeira, destacando a capoeira como tecnologia ancestral, ferramenta de educação, saúde e empreendedorismo. A atividade foi conduzida por Alan Matéria e Alline, reunindo público diverso.

Com Nina Silva, Mario Nelson, Jaqueline Oliveira e Zaza Sousa, mediado por Rosângela Gonçalves, o painel discutiu crédito, profissionalização, ecossistemas de inovação e estratégias para fortalecer a economia negra no país.

Com  a exibição do filme Zumbi dos Palmares de Carlos Pronzato, que trouxe ao Pelourinho uma narrativa histórica sobre resistência, memória e luta da população negra. A Praça Tereza Batista trouxe a potência intelectual da juventude negra na produção tecnológica e científica da Bahia. Estudantes apresentaram projetos sobre saúde, inclusão e tecnologia, com destaques para pesquisas sobre doença falciforme, neurodiversidade (Autismo Fora da Caixa), mão robótica e labirinto cerebral. Empreendedores de iniciativas como Lei da Marias, PEM do Brasil, Acelera ESG, HEY PEOPLE e Educhat+, com mediação de Sócrates Santana, discutiram soluções tecnológicas criadas por pessoas negras e estratégias de expansão de impacto.

Encerrando as atividades da Praça Pedro Archanjo, o grupo Samba Ohana subiu ao palco às 19h30 e recebeu o mestre Nelson Rufino para uma apresentação vibrante que celebrou o samba baiano e abriu a noite de festa no Pelourinho. O festival segue até domingo (23), ocupando as praças Pedro Archanjo, Tereza Batista e Quincas Berro D’Água, reunindo iniciativas que movimentam arte, tecnologia, inovação e geração de renda na Bahia.

Fonte: Ascom/Sepromi

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