presidente do Banco Central, Campos Neto, alertou nesta terça-feira (19) que o Brasil tem pouco espaço de manobra para implementar medidas que resultem em arrecadação adicional.
Campos Neto destacou que a carga tributária brasileira é relativamente alta, em comparação com a renda per capita do país. Além disso, a despesa primária do governo central e geral segue em alta.
Em 2023, a despesa primária total do governo central deve crescer 9,1%, acima da inflação. Em 2024, mesmo com o novo arcabouço fiscal, a alta real deve alcançar 3,7%.
Quando se expande a comparação para as despesas do governo geral, que inclui estados e municípios, o avanço real é de 13,8% em 2023 e de 1,7% em 2024.
Campos Neto também ressaltou que o Brasil sai de um patamar mais alto de endividamento em 2023, na comparação com países como Chile, Peru, Colômbia e México.
“Mesmo com o arcabouço fiscal, a situação fiscal em termos de trajetória de dívida é um pouquinho pior”, disse.
O presidente do BC acrescentou que, nesse contexto, expandir ainda mais a dívida brasileira para estimular a economia pode ser contraproducente.
“Obviamente isso aqui [trajetória de alta da dívida] é facilmente revertido se o crescimento começar a despontar. Agora, a gente tem que entender que o crescimento precisa ser um crescimento que gere eficiência, um crescimento que tenha mais fatores que estimulem o crescimento vindo do mundo privado. Fazer dívida para crescer não necessariamente é uma coisa que vai levar a um equilíbrio muito melhor lá na frente”, afirmou.
Campos Neto reafirmou que as análises sobre o cenário fiscal não têm uma relação mecânica com as decisões sobre a política de juros.
“A gente sabe que é difícil, acho que todo mundo sabe, inclusive hoje a expectativa de mercado não é que a gente vá atingir o [déficit] zero, mas é importante perseverar”, disse.
O secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Gustavo Guimarães, defendeu a agenda de revisão de gastos, que vem sendo puxada pela pasta.
“Não basta um regime fiscal para ter controle da despesa. A gente tem que trabalhar por dentro, fazer a revisão daquilo que talvez não seja mais necessário”, disse.
O secretário argumentou que os resultados obtidos até dezembro de 2023 indicam uma situação melhor do que a imaginada há um ano.



