Centenas de apoiadores de Jair Bolsonaro se reuniram neste domingo (26) em frente ao Masp, em São Paulo, para homenagear Cleriston Pereira da Cunha, réu dos ataques ocorridos em 8 de janeiro e que faleceu em 20 de novembro no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal.
Os discursos partiram de um carro de som da organização do evento, estacionado transversalmente na Avenida Paulista, bloqueando todas as faixas. Os manifestantes criticaram o presidente Lula, chamando-o de “ladrão”, e o ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE e relator dos casos relacionados ao 8 de janeiro no STF.
Figuras importantes do bolsonarismo, como o senador Magno Malta (PL-ES) e o pastor Silas Malafaia, estiveram presentes no ato intitulado “Em Defesa do Estado Democrático de Direito, dos Direitos Humanos e em Memória de Cleriston Pereira da Cunha”.
Embora ausente, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi lembrado em cartazes e nos gritos dos manifestantes pedindo sua volta. O advogado Fabio Wajngarten, ex-Secretário de Comunicação do governo Bolsonaro e atualmente trabalhando para o ex-presidente, compartilhou um vídeo no antigo Twitter, no qual os manifestantes clamam pelo retorno do ex-presidente.
Desde que deixou a Presidência, Bolsonaro já foi condenado duas vezes pelo TSE: a primeira vez pelos ataques e desinformação ligados ao sistema eleitoral e, depois, pelo uso político dos eventos do 7 de Setembro do ano passado.
Bolsonaro encontra-se inelegível, impedido de concorrer a eleições por oito anos, e está sob investigação pelo STF por suspeita de ser o autor intelectual dos ataques golpistas de 8 de janeiro.
Apesar de convocar seus apoiadores para a Avenida Paulista, o ex-presidente não compareceu à manifestação. Ao longo do dia, ele registrou suas atividades nas redes sociais, mostrando um café da manhã no Rio de Janeiro e um almoço em um bar em Angra dos Reis (RJ).
Embora Bolsonaro tenha convocado uma manifestação por direitos humanos, como a deste domingo na Paulista, ele utilizou o termo no passado como retórica política contra seus oponentes.
Bolsonaro e seus seguidores associam a pauta dos direitos humanos à esquerda e à impunidade, defendendo penas mais severas e questionando a importância de oferecer condições básicas de sobrevivência aos detentos.
Anteriormente, quando era parlamentar, Bolsonaro participou da Comissão de Direitos Humanos na Câmara, mas com uma visão crítica. Em 1998, ele declarou que o colegiado defendia “direitos de picaretas e vagabundos”.
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi uma das primeiras a discursar na manifestação. Após liderar um coro de “Justiça”, afirmou que “essa morte não será em vão, não vamos nos intimidar”. Em resposta, os manifestantes gritaram “fora Xandão”, em referência a Moraes.
O ministro e o STF foram os principais alvos nos discursos na Avenida Paulista. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) também mirou suas críticas no magistrado, declarando do alto do carro de som: “Alexandre de Moraes, o seu tempo está chegando”.
A manifestação durou cerca de duas horas e meia, terminando por volta das 16h20, após discursos de senadores, deputados, Malafaia e familiares de Cleriston.
Segundo documento da Vara de Execuções Penais, Cleriston, de 46 anos, faleceu após ter “um mal súbito durante o banho de sol”. Ele foi acusado de crimes como associação criminosa armada, abolição violenta do Estado democrático de Direito e golpe de Estado.
Durante um interrogatório em 31 de julho, ele mencionou ter um diagnóstico de vasculite, uma doença que o levava a desmaiar e ter dificuldades respiratórias. Alegou ter passado mal no dia dos ataques durante o translado entre a sede do Congresso Nacional e o presídio, desmaiando e urinando na roupa.
Questionado sobre a motivação para participar dos ataques, se recebeu apoio financeiro para participar e se danificou algo dentro do Senado, onde foi preso em flagrante, decidiu permanecer em silêncio.



