Um novo áudio divulgado nesta segunda-feira (4) pelo portal Metrópoles coloca em xeque a versão do deputado federal André Janones (Avante) sobre as acusações de rachadinha feitas por ex-assessores.
Na gravação, Janones pede parte do salário dos assessores quando já havia assumido o cargo de deputado federal. Ele tem sustentado a tese de que, por não ter assumido ainda o cargo, nenhum assessor havia sido nomeado e que sugestão de ficar com parte do salário de seus auxiliares foi vetada por sua advogada. Com isso, o crime não teria acontecido.
No entanto, o novo áudio mostra que Janones estava ciente da nomeação de Fabrício Ferreira, um dos que o acusam de rachadinha, e que já havia solicitado que ele repassasse parte do salário.
A gravação teria sido feita em uma reunião que teria acontecido no dia 5 de fevereiro de 2019, uma terça-feira. Fabrício Ferreira, um dos que acusam o deputado de rachadinha, teve a sua nomeação publicada no Diário Oficial quatro dias antes, em 1º de fevereiro.
No áudio, Janones diz: “Não sei se vocês viram aí nas noticias do Facebook. Já tem uma p#rrada de deputado que apresentou projeto de lei ontem. Ontem tinha uma fila de 100 deputados apresentando projeto de lei. Eu sequer sabia de disso”.
“Por que eu não sabia? Por que não contratei nenhum especialista em técnico legislativo. Hoje tem plenário à tarde. Eu não sei o que que eu vou fazer lá. Vou chegar lá e vou ficar perdido. Não sei como que é, o que eu vou fazer, que horas que eu falo, que assunto que vai ser. Por quê? Porque não contratei ninguém de plenário”, acrescenta.
A nova gravação pode complicar ainda mais a situação de Janones, que já enfrenta um pedido de cassação de mandato pelo Partido Liberal (PL).
O caso
A suposta prática de rachadinha feita por Janones surgiu depois que o site Metrópoles divulgou, no último dia 27 de novembro, um áudio em que o parlamentar aparece dizendo que iria gastar o dinheiro recebido com “casa, carro, poupança e previdência”.
O deputado disse que o ato se configurava como corrupção. “Eu acho justo que essas pessoas também participem comigo da reconstrução disso”, afirmou. Janones disse ainda que era seu gasto de R$ 675 mil na campanha e sua perda de patrimônio foi “dilapidado”. “Eu perdi uma casa de R$ 380 mil, um carro, uma poupança de R$ 200 mil e uma previdência de R$ 70 mil”, comentou.
Após a divulgação do primeiro áudio, Janones admitiu que havia pedido parte do salário dos assessores, mas disse que a sugestão foi feita pela sua advogada, que considerou que a prática era legal. Ele também disse que a sugestão foi vetada por ele mesmo.
Foto: Paulo Sergio / Agência Câmara



