Em A Divina Comédia, o italiano Dante Alighieri (1265-1321) descreve de forma assustadora o castigo final daqueles que, em vida, foram invejosos. E o cenário, com o perdão do trocadilho, não causa inveja a ninguém. Empoleirados à beira de um penhasco, seus olhos são costurados, já que a origem da heresia reside na visão. Eles precisam apoiar-se uns nos outros para não despencar, algo a que não estavam habituados. O sentimento que arrastou essa turma para o inferno dantesco é dos mais humanos, tão recorrente que o papa Gregório I (590 d.C.-604 d.C.) o incluiu no rol dos sete pecados capitais. Muitas chacoalhadas históricas e séculos depois, a espécie segue naturalmente às voltas com ele, impulsionado agora pelas incontornáveis engrenagens das redes sociais. Um recente estudo publicado na prestigiada Nature, que se debruçou sobre o frenesi on-line de centenas de pessoas, revelou que é ela, inveja, o principal subproduto da navegação pelos territórios de Facebook, Instagram e X, o que pode se desdobrar em outras tantas emoções negativas, levando até à depressão.
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Por Amanda Péchy/Veja



