Uma pesquisa publicada na revista Biomedicine & Pharmacotherapy, em fevereiro de 2024, estima que o uso da cloroquina causou a morte de 16.990 pessoas nos países ricos durante a primeira onda da pandemia de covid-19. O estudo, realizado por pesquisadores das universidades de Lyon, na França, e Quebec, no Canadá, analisou dados de hospitalização de seis países.
Originalmente destinada ao tratamento da malária, a cloroquina foi administrada inicialmente a pacientes com covid-19, apesar da ausência de evidências científicas de sua eficácia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para os riscos do uso do medicamento, que pode causar efeitos colaterais graves, como arritmias cardíacas.
No Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro defendeu o uso da cloroquina e anunciou que estava tomando o medicamento. Ele chegou a afirmar que “a hidroxicloroquina tem salvo milhares e milhares de vidas pelo Brasil”.
O estudo francês e canadense analisou dados de hospitalização de pacientes com covid-19 em França, Bélgica, Itália, Espanha, Estados Unidos e Turquia. Os pesquisadores descobriram que os pacientes que receberam cloroquina tinham um risco 11% maior de morrer do que os que não receberam o medicamento.
Os pesquisadores estimam que 16.990 mortes poderiam ter sido evitadas se a cloroquina não tivesse sido usada. Eles alertam que esse número pode ser subestimado, pois não foram incluídos os dados de outros países.



