Roberto Campos Neto chega ao último ano de mandato como presidente do Banco Central (BC) com uma gestão marcada por avanços e controvérsias.
No campo da modernização do sistema financeiro, Campos Neto liderou a implementação do Pix, sistema de pagamentos instantâneos que se tornou o meio de pagamento mais utilizado no Brasil. Também avançou na agenda de tecnologia, com iniciativas como o Open Finance, que permite o compartilhamento de dados entre instituições financeiras, e o Drex, moeda digital em fase de testes.
No combate à inflação, Campos Neto conduziu um ciclo de aperto monetário que elevou a taxa básica de juros (Selic) a 13,75% ao ano. A medida foi necessária para conter a escalada inflacionária, que atingiu 11,75% em dezembro de 2023.
No entanto, a política monetária do BC foi alvo de críticas de diferentes setores. Economistas apontam que Campos Neto errou ao reduzir os juros em demasia durante a pandemia de Covid-19, o que contribuiu para a inflação atual. Já o governo Lula, que assumiu o poder em janeiro de 2023, critica a postura “dura” do BC, que dificulta a recuperação econômica.
No campo político, Campos Neto teve uma relação estreita com o governo Jair Bolsonaro (PL), de quem foi indicado. Isso levou a críticas de que o BC estaria sendo influenciado pela política.
No entanto, Campos Neto também conseguiu manter um bom relacionamento com o Congresso Nacional, que aprovou a autonomia do BC em 2021.
Legado controverso
A gestão de Campos Neto no BC será lembrada por avanços na modernização do sistema financeiro e pelo combate à inflação. No entanto, a política monetária do BC durante a pandemia e a proximidade do presidente com o governo Bolsonaro geraram controvérsias.
O futuro de Campos Neto no BC é incerto. A lei de autonomia permite uma recondução, mas o presidente Lula deve indicar para o cargo alguém mais alinhado ao seu governo. Campos Neto já afirmou que não aceitaria um segundo mandato.
Foto: Marcelo Camargo



