O presidente Lula (PT) disse nesta sexta-feira (8) que é preciso conversar com evangélicos e parar com “briguinhas internas” no partido.
“Como é que a gente vai chegar nos evangélicos? Se fosse fácil, colocava você que é a mais linda evangélica desse país para resolver os problemas”, disse Lula, dirigindo-se à deputada Benedita da Silva (PT-RJ). “Mas não é você. Não é individualmente um problema de uma pessoa. É a narrativa que temos que aprender para conversar com essa gente.”
Lula disse que os evangélicos são “gente trabalhadora, gente de bem, gente que muitas vezes agradece a igreja de ter tirado o marido da cachaça para cuidar da família”.
De acordo com o Datafolha divulgado na quinta-feira (7), o petista ainda não teve sucesso em ganhar o coração evangélico. Sua reprovação no segmento é de 38%, ante 28% registrados entre católicos.
Lula fez as declarações durante a abertura da conferência eleitoral do PT, em Brasília. O encontro teve participação de ministros de governo, governadores, da primeira-dama Janja e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Em outro momento de sua fala, Lula criticou atritos internos no partido e disse que é preciso escolher os melhores candidatos.
“É preciso que a gente tenha coragem de escolher o melhor, não pode ser as briguinhas internas do PT”, afirmou. “A gente tem que escolher o melhor. Que vai melhor defender o partido, o que vai melhor defender as coisas do governo, aquele que vai melhor apresentar proposta para a sociedade.”
Lula disse ainda que promete ser o melhor cabo eleitoral possível com o governo federal e que ministros vão se empenhar nas campanhas, fora do horário de trabalho.
O presidente atacou ainda, em vários momentos de seu discurso, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e disse ainda apostar na polarização na disputa do ano que vem.
“Eu sinceramente acho que essa eleição vai ser outra vez Lula e Bolsonaro disputando essas eleições no municípios”, disse. “A gente vai ter que mostrar que queremos exercitar democracia com eleições mais competitiva o possível, mas a gente não vai ter medo de ninguém.”
A leitura foi compartilhada pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que disse ser preciso ainda derrotar o bolsonarismo nas urnas, em discurso antes de Lula.
Lula fez ainda um gesto a Gleisi, que está sendo cotada para ministérios em uma eventual reforma ministerial mais adiante. Seu nome chegou a circular nesta semana como possível sucessora de Flávio Dino (PSB) no Ministério da Justiça, mas ela afastou essa possibilidade.
Para Lula, como mostrou a Folha de S.Paulo, é importante que ela fique no comando do partido neste ano de eleições municipais.
“Graças a Deus, você é a presidenta nacional dos Partidos dos Trabalhadores que fez a gente enfrentar os anos difíceis”, afirmou.
Na reta final de seu primeiro ano de mandato, Lula manteve sua avaliação estável, segundo a última pesquisa Datafolha. O petista fecha 2023 com 38% de aprovação dos brasileiros, enquanto 30% consideram seu trabalho regular, e o mesmo número, ruim ou péssimo.
Apesar de algumas iniciativas de aproximação, o petista não teve sucesso em ganhar o coração evangélico, grupo de 28% do eleitorado muito influente politicamente, geralmente associado ao bolsonarismo. Nele, sua reprovação é de 38%, ante 28% registrados entre católicos.
Foto: Ricardo Stuckert



