A tese de que a Assembleia Legislativa é o desaguadouro de tudo que se passa no estado está carimbada. Ontem, na Comissão de Infraestrutura, deputados de todos os lados gritaram que a seca castiga os quatro cantos, do litoral ao sertão, algo nunca visto.
Inicialmente, falou-se em marcar uma audiência pública para discutir a seca. Luciano Araújo (SD) bradou:
— Não é caso de audiência pública, é caso de urgência urgentíssima!
Convenceu. Ontem mesmo um grupo bateu na Governadoria e expôs a situação. O deputado Manuel Rocha (UB), presidente da Comissão de Agricultura, explicou:
— O jogo é correr atrás de Geraldinho ou Jerônimo, o que puder resolver o problema.
Jerônimo chegou ontem à noite de Dubai e já amanhece hoje com o pepino no colo.
A pior —Eduardo Salles (PP), o presidente da Comissão que já foi secretário da Agricultura de 2011 a 2014, diz que a situação atual é inédita.
— Tivemos seca de 2010 a 2015, mas era localizada em algumas regiões. Agora é o estado todo. Estivemos numa audiência itinerante na semana passada em Porto Seguro e eu vi a mata do litoral pegando fogo. É uma catástrofe.
E, já que é assim, o que fazer? Ele lista três pontos a serem sugeridos ao governo:
1 – Venda de milho pela Conab a preço de balcão. Na seca anterior, a saca custava
R$ 100 e foi vendida a R$ 18.
2 – Liberação de crédito para o produtor só pagar quando a chuva voltar.
3 – Ceder mais carros-pipas e tubos para atender pequenos produtores.
Gilberto Brito (PSB), prefeito de Paramirim, também na seca, sugere que a Embasa aumente a quantidade de água, de seis mil litros para 20 mil, nas tarifas de preço mínimo.
— É para ajudar os pequenos. Cada boi consome 50 litros de água por dia.
Por Atarde | Foto: Lula Bonfim



