O ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), indicado para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), deu início às visitas ao Senado, concentrando-se em parlamentares indecisos para garantir uma margem de segurança e evitar reviravoltas na Casa. Além disso, aliados do ministro planejam um encontro com senadores evangélicos.
Essa estratégia foi delineada durante um jantar na noite de terça-feira (28) com líderes aliados. O objetivo é conquistar mais votos do que os 47 obtidos por André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Nesta quarta-feira (29), Dino se reuniu com o vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), o relator de sua indicação, Weverton Rocha (PDT-MA), e de forma descontraída mencionou sua busca por votos 24 horas por dia, seguindo uma agenda intensa até a sabatina agendada para 13 de dezembro.
A lista de possíveis indecisos inclui a senadora Ivete da Silveira (MDB-SC), que se encontrou com Dino nesta quarta-feira. Sob pressão de eleitores contrários à indicação em Santa Catarina, a senadora, viúva do ex-governador Luiz Henrique da Silveira, afirmou não declarar seu voto neste momento.
Após a reunião, ela mencionou ter apreciado a conversa, com elogios de Dino a Luiz Henrique e recordações do convívio dele com o ex-governador, ambos contemporâneos no Congresso.
A senadora Eliziane Gama (PSD-MA), aliada de Dino, está articulando um encontro para a próxima semana com senadores evangélicos. Há percepção de possíveis indecisos nesse grupo, que teve papel crucial na aprovação de Cristiano Zanin em junho.
Eliziane afirma que Dino tem uma postura conservadora e será bem recebido. Nesta quarta-feira, o ministro da Justiça evitou posicionar-se sobre uma das pautas importantes para a oposição no Senado, a PEC (proposta de emenda à Constituição) que limita decisões monocráticas do STF, aprovada na semana passada. Questionado, Dino se esquivou, preferindo não interferir em sua sabatina.
Em outro contexto, Dino contatou o líder da União Brasil, Efraim Filho (PB), solicitando uma reunião com os senadores do partido. O líder do PSD, Otto Alencar (BA), agendou um encontro entre Dino e a maior bancada da Casa para a próxima semana.
Tanto aliados como oposicionistas antecipam a aprovação do ministro, mas adversários do ex-governador do Maranhão prometem trabalhar por uma oposição robusta ao aliado do presidente Lula (PT). Contudo, contam com o voto secreto para atrair parlamentares contrários ao indicado.
Os líderes da oposição acreditam que os senadores dificilmente se posicionarão publicamente contra Dino, considerando sua possível nomeação para o STF e para não desagradar membros da corte. No entanto, ponderam que durante a votação, um sentimento anti-Dino pode se manifestar.
Os apoiadores de Dino buscam reduzir a tensão, mesmo entre aqueles que votarão contra ele. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), vice de Jair Bolsonaro (PL), foi consultado por apoiadores de Dino sobre sua disposição de recebê-lo, assim como o senador Eduardo Girão (Novo-CE).
Os defensores do ministro da Justiça afirmam que Dino expressou interesse em conversar com todos os senadores, sem exceções, incluindo Sergio Moro (União Brasil-PR) ou Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
No entanto, a abordagem aos senadores da oposição está prevista apenas após a apresentação do relatório no plenário da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), prevista para a próxima semana.
Flávio Bolsonaro declarou nesta quarta-feira que não espera ser procurado. “Ele sabe o meu voto e não vai me procurar”, afirmou o senador, uma das principais vozes contra o indicado.
Em suas interações, Dino tem destacado a necessidade de uma postura diferente como ministro da Justiça em comparação com um membro do STF, argumentando publicamente essa distinção. Ele ressaltou que o perfil combativo é próprio da política e que um magistrado da corte não deve ter ideologia ou lado político.
Ele também enfatizou que não se preocupa com a orientação política dos senadores e afirmou que alterou sua postura ao ser indicado para o STF, na última segunda-feira (27).
“Para uma posição no Judiciário, isso não é relevante: se a pessoa é ideologicamente alinhada a um lado ou outro, politicamente ou partidariamente. Um ministro do Supremo não tem partido, ideologia ou preferência política”, salientou Dino.
“No momento em que o presidente Lula fez a indicação, obviamente mudei minha postura. E essa postura atual é de buscar apoio no Senado. Essa postura



