O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (PSB) disse nesta terça-feira (21) que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia está maduro para ser concluído em dezembro. O Brasil ocupa a presidência do Mercosul até o dia 7 de dezembro, e o bloco terá uma reunião de cúpula no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de dezembro.
As negociações sobre o acordo de cooperação entre os dois blocos haviam sido dadas por encerradas em 2019, durante o governo Bolsonaro, mas o texto não foi encaminhado para aprovação por causa da oposição de países europeus à política ambiental brasileira.
Desde então, a Europa discute como incluir nos termos do acordo salvaguardas que garantam que o Mercosul adota as mesmas práticas de sustentabilidade exigidas dentro da União Europeia.
O bloco europeu sugeriu um documento adicional, chamado de “side letter”, que acrescenta condicionantes ambientais ao texto que havia sido negociado até 2019. Países do Mercosul, porém, fizeram contrapropostas a esse adendo. Apenas depois de resolvida essa questão a proposta de acordo voltará a tramitar nos dois blocos.
A pressa em fechar os termos do acordo acontece em meio à vitória do ultraliberal Javier Milei na Argentina, que mantém posições contra o bloco sul-americano. Parte do governo é cética em relação à possibilidade de concluir negociações antes da posse de Milei, em dezembro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, mais cedo nesta terça, que relatou para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a sua disposição de fechar os termos do acordo até dezembro.
Lula também disse que transmitiu o que chamou de “pontos nervosos” das negociações, na perspectiva brasileira, e que espera se encontrar com a dirigente europeia durante a COP28, em Dubai, para receber uma resposta às demandas brasileiras. A conferência climática começa dia 30.
“Ontem que liguei para a Ursula von der Leyen, que é a presidente da Comissão Europeia, para dizer para ela que eu estou querendo negociar o Mercosul ainda na minha presidência e que eu gostaria que a gente conseguisse fazer o acordo”, afirmou o presidente brasileiro.
“Eu passei todos os pontos nervosos para ela. Ela ficou de me dar uma resposta. Eu coloquei o [chanceler] Mauro Vieira para conversar com o chefe de gabinete dela, para ver quais são os pontos mais problemáticos e ela ficou de tentar, quem sabe, lá na COP 28 fazer uma reunião comigo e apresentar a resposta definitiva deles sobre a nossa demanda”, completou.
A vitória de Milei nas eleições argentinas traz incerteza para o futuro do Mercosul. O político já afirmou que deixaria o bloco, em caso de vitória.
Agora, interlocutores do presidente e integrantes da equipe econômica dizem que resta saber se Milei manterá o discurso radicalizado após eleito.



