Mais de 80% dos brasileiros residem em casas, aponta levantamento do IBGE

Oito de cada dez pessoas que vivem no Brasil moravam em casas em 2022. Naquele ano, o país contava com 59,6 milhões de casas ocupadas, nas quais residiam 171,3 milhões de pessoas. Isso significa que 84,8% da população morava nesse tipo de residência. As informações São do Censo 2022 e foram publicadas nesta sexta-feira (23/2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A divulgação “Censo 2022: Características dos domicílios – Resultados do universo” mostra, também, que cresceu proporção de moradores em apartamentos, categoria de domicílio na qual residiam 12,5% da população.

Os domicílios do tipo “casa de vila ou em condomínio”, que em 2010 abrigavam 1,6% das pessoas residentes no Brasil, passou a abrigar 2,4% em 2022. Dessa forma, em conjunto, os tipos “casa” e “casa de vila ou em condomínio” reuniam 87,2% da população.

O amplo predomínio das casas entre os tipos de domicílios já havia sido registrado nos Censo Demográficos anteriores, assim como a tendência de aumento da proporção de apartamentos: em 2000, 7,6% da população residia nesse tipo de domicílio, número que passou para 8,5% em 2010 até chegar aos 12,5% registrados em 2022.

Bruno Perez, analista da pesquisa, explica que esse aumento é expressivo e nacional, sendo registrado em todas as regiões do país, embora seja mais típico dos grandes centros urbanos. “Essa verticalização é uma resposta ao adensamento da população dos municípios, principalmente nas áreas de região metropolitana e nos centros das cidades maiores”, afirma.

As demais categorias são residuais. Um grupo de 494 mil pessoas (0,2% da população) residia em domicílios do tipo “habitação em casa de cômodos ou cortiço”. As outras duas categorias abrigavam menos de 0,1% da população: “habitação indígena sem paredes ou maloca”, com 52 mil pessoas, e “estrutura residencial permanente degradada ou inacabada”, com 81 mil pessoas.

Piauí tem a maior proporção de pessoas em casas; Distrito Federal lidera em apartamentos

Na comparação entre o Censo de 2010 e o de 2022, a proporção da população residindo em apartamento” teve expansão em todas as regiões. O maior percentual segue no Sudeste (16,7%), seguido pelo Sul (14,4%). Na outra ponta, aparece o Norte (5,2%).

Entre as unidades da federação (UF), o Piauí teve a maior proporção da população residindo em domicílios do tipo “casa” (95,6%), seguido de perto pelo Tocantins (95,3%) e Maranhão (95,1%). Já a menor foi no Distrito Federal (66,14%), que por sua vez, liderava o ranking de percentual da população residindo em apartamentos (28,7%), enquanto o Tocantins (2,5%) teve a menor proporção no quesito.

A maior ocorrência dos domicílios do tipo casa de vila ou em condomínio foi registrada no Rio de Janeiro (5,9%), seguido por Roraima (5,3%). Espírito Santo (0,5%) apresentou o menor percentual.

Apartamentos predominam em três municípios

Apesar de registrar uma expansão dos domicílios do tipo apartamento, o Censo Demográfico 2022 mostra que, dos 5.570 municípios brasileiros, em apenas três predominava essa modalidade. São exceções nacionais, mas com características peculiares e diferentes entre si. Um desses municípios é Santos (SP), o único da lista no Censo 2010, quando 57,8% da população morava em apartamentos. Esse percentual passou para 63,4% em 2022. “É um município com boa parte de sua área em uma ilha, onde fica a parte urbana já totalmente ocupada. Por isso, a tendência de expansão é a verticalização. Parte do que poderia ser a periferia e regiões menos adensadas de Santos estão em municípios vizinhos”, explica Bruno.

Já Balneário Camboriú (SC) segue uma lógica diferente. Com uma atividade mobiliária intensa nos últimos anos e sendo um destino turístico importante da região Sul, o município catarinense viu o percentual de moradores em apartamentos saltar de 48,9% para 57,2% do Censo 2010 para o Censo 2022. A cidade do litoral norte de Santa Catarina tem chamado a atenção pelo grande número arranha-céus construídos recentemente. “É uma tendência de áreas litorâneas valorizadas economicamente: um adensamento que gera verticalização para atrair mais pessoas que querem estar próximas às praias”, justifica o pesquisador.

Completa a lista São Caetano do Sul (SP). O município, diz Bruno, tem uma área relativamente pequena, com população de porte médio e muito inserida na Região Metropolitana de São Paulo, estando consideravelmente próxima ao centro da capital. “Ou seja, tem características semelhantes à área do chamado Centro Expandido de São Paulo: bastante adensado e tem verticalização considerável”, completa o analista.

Em 2022, rede geral de distribuição de água foi a forma principal de abastecimento de água para 82,9% dos habitantes

A divulgação de hoje do Censo 2022 também apresenta resultados quanto à principal forma de abastecimento de água dos domicílios no Brasil. A rede geral de distribuição apareceu em 60,8 milhões de domicílios, onde residiam 167,5 milhões de pessoas (82,9%). Esse percentual é superior a ocorrência da opção registrada no Censo Demográfico de 2010 (81,5%), em que pese alterações realizadas no questionário para tornar mais rigorosa a classificação.

Poço profundo ou artesiano foi a segunda forma principal de abastecimento, aparecendo em domicílios que representam 9,0% da população. Na sequência, aparecem poço raso, freático ou cacimba (3,2%) fonte, nascente ou mina (1,9%).

Em conjunto, essas quatro formas, consideradas adequadas para fins de monitoramento do Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), atendiam 96,9% da população em 2022.

Com menor ocorrência nacional, encontram-se o abastecimento por “carro-pipa” (1,0%), rios, açudes, córregos, lagos e igarapés (0,9%), e água da chuva armazenada (0,5%). Um conjunto de 0,6% da população utilizava principalmente formas de abastecimento que não se encaixavam nas opções do questionário.

Censo 2022: diferenças regionais na forma de abastecimento de água

A rede geral era a forma principal de abastecimento de água predominante em todas as regiões, mas com desigualdade nas proporções. Enquanto no Sudeste o percentual era de 91,0%, no Norte foi de 55,7%, e no Nordeste, de 76,3%. O Norte, inclusive, foi a região que apresentou as maiores proporções da população utilizando, principalmente, as formas de abastecimento poço profundo ou artesiano (24,3%) e poço raso, freático ou cacimba (11,8%).

O Nordeste apresentou as maiores proporções das formas de abastecimento “Carro-pipa” (3,5%) e “Água da chuva armazenada” (1,8%), enquanto a Região Norte apresentou a maior proporção da forma de abastecimento “Rios, açudes, córregos, lagos e igarapés” (5,3%). Entre as UFs, apenas São Paulo (95,6%) e Distrito Federal (92,8%) passavam dos 90% de moradores em domicílios com rede geral de abastecimento de água como forma principal. Na parte debaixo, Pará (48%), Rondônia (45,3%) e Amapá (43,7%) não chegavam a 50%.

“Já entre os municípios”, ressalta Bruno, “há peculiaridades regionais que mudam a lógica de atendimento das formas de abastecimento de água de maneira expressiva”. Em 4.753 municípios, 50% ou mais da população era abastecida principalmente por rede geral e em 5.157 municípios a rede geral era a forma principal predominante de abastecimento de água. Porém, uma das marcas das diferenças regionais citada pelo pesquisador está no quesito “carro-pipa”. Apesar da sua baixa expressão nacional, em 2022, foi a forma de abastecimento principal predominante em 68 municípios brasileiros, todos localizados no Nordeste.

O Censo 2022 também registra que em 69,3 milhões de domicílios, nos quais moravam 192,3 milhões de pessoas (95,1%), a água chegava encanada na residência. Para 2,5% da população, a água chegava encanada, mas apenas até o terreno. Para outros 2,4%, a água não chegava encanada.

No comparativo entre regiões, o Sul apresentava os maiores índices de moradores com água canalizada (99,4% na residência e 0,3% no terreno), enquanto o Norte apresentou os menores índices (87,1% e 6,4%, respectivamente), também apresentando o maior índice de residências sem água canalizada (6,4%)

Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal foram as UFs que ultrapassaram os 99% de moradores com água canalizada até a residência. Amazonas (9,6%), Acre 9,6%) e Pernambuco (9,2%) foram os estados com mais moradores sem água canalizada

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

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